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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

OS VALORES QUE O MUNDO VENDE

O mundo vende valores tão efêmeros que vivemos sob um cadafalso, e ao nos defrontarmos com a minima frustração perdemos o sentido da vida e somos arremessados num profundo vazio existencial.
Se fundamentamos nossa vida e valores nas coisas que enferrujam somos candidatos a vivenciar os males emocionais desses dias.
Para muitos a vida tornou-se uma constante fuga de si mesmo e um encontro constante com as sensações fugazes dos prazeres ilusórios.
Daí nascem os estados emocionais que se revelam extremados, quando a alegria extasiante da lugar a graves estados de tristeza, onde tudo perde a graça e o sentido.
Precisamos considerar o contexto social no qual estamos mergulhados, mas a nossa essência é de fato espiritual.
Os transtornos de ansiedade revelam que o homem se afoga, se asfixia psiquicamente num oceano de nada.

O que pode causar mais pânico e padecimento emocional do que a falta de controle sobre os prazeres que julgávamos nossos?
Quando eu era criança e desejava entrar no mar, meu pai sempre me dizia: "cuidado, o mar não tem cabelo para você se agarrar".
Se a alma humana não fundamentar sua existência em profundos valores éticos morais ela pode ser arrebatada pela força das ondas de tristeza e depressão que varrem as vidas humanas para os vales de desesperança.
Todos somos vulneráveis as estações do pessimismo.
O mundo quer te vender prazer, Deus te oferta amor.
O mundo quer te seduzir com a embriaguês dos sentidos, Deus te oferta a lucidez como forma de viver a sua experiência espiritual.
O mundo tem o gozo, Deus te propõe a plenitude.
O mundo te afasta de ti, Deus pede o auto encontro.
A vida está posta, os caminhos são muitos, a dores são grandes, mas a vida equilibrada e mais feliz é possível.
Se o mundo quer te vender valores efêmeros, é você quem decide se sua alma está a venda ou não.


Adeilson Salles

terça-feira, 4 de setembro de 2018

AS PEQUENAS MORTES QUE ANTECEDEM O SUICÍDIO

AS MORTES EMOCIONAIS


O auto extermínio não ocorre de um momento para o outro.
O suicídio antes de acontecer é permeado por outras mortes que vão tecendo as malhas depressivas que gradativamente envolvem o jovem ou o adulto.
Um ato de desespero dessa ordem vai acontecendo primeiramente na alma do suicida.
Ele vai sepultando suas esperanças e sendo abatido lentamente por fatores exógenos.
Não temos como sondar o coração das pessoas, por mais que acreditemos que essa ação devastadora não encontre explicação, pois muitos julgam esse ato uma atitude covarde.
Frustrações, expectativas, complexos variados e dificuldades no campo sexual são alguns dos componentes que enredam a critura humana em pensamentos suicídas.
Percebe-se com muita clareza que a alma humana que fundamenta seus valores, apenas nos prazeres medíocres que o mundo vende não tem estrutura psicológica para se manter equilibrada ante a gangorra dos ciclos da vida nesses tempos.
O egoísmo entronizado no coração da mole humana, o hedonismo adotado como pedagogia de vida.
Egoísmo e prazer, fatores de grande poder de destruição do psiquismo daqueles que não conseguem entender que a vida primeiramente é tudo aquilo que cultivamos dentro de nós.
Famílias e mais famílias são arrebatadas pelo tsunami da vida voltada apenas para os valores perecíveis da matéria.
O homem moderno está doente, preso a um padrão comportamental enfermiço.
É a febre do ter, ter cada vez mais para preencher a falta de valores que minimamente apascentem as inquietações do espírito.
Quanto mais a incerteza toma conta das mentes, mais o vazio cresce e é preciso beber a água da ilusão, que é salgada e consequentemente não sacia o ser espiritual.
Famílias abastadas onde não falta absolutamente nada em termos material, veem seus filhos atirarem-se dos arranha céus num voo que reflete o grande grito de socorro.
A dor interna é tamanha que é preciso aniquila-la de qualquer jeito.
Precisamos urgentemente de mais humanidade entre nós.
Aprender o valor da compaixão, disseminar o exemplo de ser bom e digno.
Essas ações nascem no coração do homem a partir dos próprios lares.
A indiferença com o semelhante desconhecido também mata quando somos ausentes da vida dos que comungam o mesmo teto que nós.
Todos os dias chegam notícias de jovens que creem voar para o nada suicidando-se e nesse gesto deixam um rastro de perplexidade para os que ficam.
É preciso prestar atenção nas pequenas mortes emocionais que ocorrem ao nosso lado, para prevenir dores maiores.
O suicídio pode ser evitado, evitando-se a indiferença com a dor emocional alheia.
O que pode parecer pueril aos nossos olhos, por vezes é momento devastador na vida dos que convivem conosco.
Nosso amor e compaixão podem "ressuscitar" corações queridos das imperceptíveis e pequenas mortes desses tempos de desamor.
Adeilson Salles